quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Interrompida

Chegou entoando a voz e a perdeu no meio do caminho.


Rosas não lhe eram dadas todos os dias.
E tinha mais: a chuva nunca esperava por ela para cair.
Havia ainda o detalhe de a chave ter sido destroçada ao enfiá-la com muita força na fechadura e, enfim, ao adentrar seu lar, o caos do banheiro esquecido pelas manhãs e ignorado nas noites de extremo cansaço, ou seja, todas.
Mas as rosas.
Que o café era velho e a dispensa vazia o deixava amargo. Mas era bom que assim ela podia seguir o dia já desperta e atenta.
E, além da chuva, o ônibus também.
Largada para trás no ponto. Seja pela multidão que ocupou o lugar dela ou pelos minutos que ela se permitia a mais na cama sem ressentimentos – a curto prazo.
As nuvens também não ajudavam. Por que tudo cinza? Ela tinha de se perguntar.
E as questões só a assaltavam quando a viam só.
Sem ninguém para perguntar e nenhuma pétala para bem-me-queres-mal-me-queres.
Os passos estrondosos e um sorriso de cabeça para baixo.
Quis chiar.
E estava com a aparência de uma desajeitada: e sem flores.
Mas, garota interrompida.
Perdida em lembranças mofadas e em continuações de sonhos. Fascinada pelas. pétalas. que iam caindo.
de um tempo distante. de um tempo de. Amores Perdidos. de mal-me-queres em abundância. um tempo interrompido. POR PONTOS.
E ainda assim tão presente.


Ficou lá, com o grito entalado na garganta que coçava diante as memórias tão lúcidas e melancólicas.

2 comentários:

  1. Nossa como vc escreve bem menino!!!!!! liiiiiindo texto!!!!!! seu blog é do tipo que tem que ficar em destaque!!!! já coloquei.E vou divulgar .....

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  2. É tão...
    Preciso e impreciso.
    É tão doce e tão amargo.
    É tão ...
    Não sei explicar.

    Bonito demais.

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