quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Egocêntrica


Saiu do banho e tomou outro. Dessa vez um de perfume. Vestiu o vestido que já estava quase empoeirado, por que passou a semana inteira sobre o sofá esperando por ela. E ela concorda que é uma grande sorte que as roupas não falem, ou pelo menos, que tenham a paciência que só elas possuem por que, de certo, ela não teria sossego ao abrir o armário, mas tudo bem.
Colocou as meias de renda e se olhou no espelho. Perfeito! Subiu no Scarpin e desfilou para si mesma e quase desanimou de continuar: queria se despir! queria se usar! desejava a si mesma – e isso era bom, era sinal de que tudo sairia conforme o planejado – e então foi em frente.
“Toalha posta, mesa arrumada, velas no lugar certo, música? Hmm... ok! bem baixinho...” a campainha toca e “Bem na hora! Acho que posso contratá-lo para esses favores mais vezes...”
Apaga as luzes, destranca a porta da frente, se dirige para a cozinha e então para a porta dos fundos. Sai de casa e para na frente da porta da frente e pergunta ansiosa “pode entrar?!”. Depois de dez segundos ela se permite girar a maçaneta e adentra pela sala de estar trancando a porta atrás dela. Aprecia o cheiro e pensa “Hmm... Velas!” e ao ver a mesa toda preparada para um jantar inesquecível, acaba se delatando:
"Mal pude esperar para estar a sós!"

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