sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Desconhecido Íntimo

Te decorei por completa. Já te vejo em todo canto e em cada esquina que decido virar e não sei se sou eu a te seguir ou você quem me acompanha. E justifico meus atrasos por essa competição de ver-te até que se perca no horizonte, longe de mim quando o sol está se pondo. E ter-te sempre tão misteriosa, a significar coisas que eu nem compreendo, coincidências que eu nem desconfio e que projeto em cada um dos teus gestos um sinal mirabolante. Encara-me mas prorroga as palavras para manter o silêncio que me atiça. Ou finge que não me vê, mas copia meus gestos, deixando-me intrigado. E está sempre tão próxima mas tão distante de mim que já não penso em fazer mais nada além de te admirar no seu sempre, e talvez único, traje negro.

Certa vez, meu fascínio compartilhei com um conhecido que disse nos ser um amigo em comum. Confessou encontrar-te também por todos os cantos e disse-me ser encantado contigo. Ah, pobre de nós apaixonados pela própria sombra!

3 comentários:

  1. A beleza que tem ese texto vem da sutil pescagem de seres cotidianos que orbitam a nossa volta, que parecem existir somente para que um - apenas um!, repito-lhes - passante apoetado ("não sou poeta!") possa trazê-los em frases tão bem talhadas.
    E ainda diz que não é poeta...

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  2. amor de rua, amor de ônibus, amor de fila de cinema.

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