segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Imprevisível

atualizado em 06/08/2012,
Raquel Guimarães.

De tanto te ler textos não escritos eles se vão, por que, antes deles, esvaem-se as possibilidades de concebê-los: perco a vontade.
Peco em adiantar-me! Tantas cenas que não serão filmadas por que eu li o roteiro para saciar tua ansiedade... ou seria eu o ansioso? Com a inquietação de quem sai à rua sempre como se fosse a primeira vez e faz com que contos clássicos soem inéditos, na avidez de ver o mundo com olhos diferentes. Renovar-me e ao redor! Ter mil possibilidades de personagens, pontos de vista, mil sensações para serem encarnadas!
Eu que abandono livros, filmes, músicas, até o velho lápis repousado sobre o abismo branco, apenas por que me escutas atenta e entretida. Ingênua, tomas meu tempo sem cerimônias e faz com que eu esqueça o papel. E meu papel, principal. Saibas: O lápis sente ciúmes de ti...
Há histórias em gestação eterna; um vazio não proposital que lamenta suas lacunas; um silêncio clamando reinar, como antes quando a criação era sagrada, ritualística. Há um mundo que deixei em espera quando simplesmente sumi.
Eu, que já era um universo tão vasto, estendido em linhas ilimitadas, numa facilidade de ir-e-vir, quase esquizofrênico, deparo-me, no fim do caminho que tomei buscando recompor meu fôlego, contigo.
É improvável que meus pés toquem novamente o solo do comum. Já não fito aqui ou ali...
E até tenho previsões do que está por vir, mas não mais me antecipo: se marco as cartas a vitória demora-se.

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