segunda-feira, 2 de março de 2009

Tempo Estraño

O "estraño", estranho ao dicionário, é mais adequado à impermanência do que a ordem perfeita da gramática estática. Sutil na rebeldia e informal com tenção, encarna-se em personalidade intensa inexprimível: o curinga perspicaz.
Adotado por um tempo que o quer como adjetivo, mas que só o tem pois já é intemperado por si só. Seja clima, seja areia juíza de momentos divergentes (mas agrupados em categorias para a satisfação da lógica racional - e, assim, simplista), sejam "épocas" ou "prazos": o tempo é sempre estraño.
A complexidade do termo cunhado discorda de sua adequação, que se faz tão fácil de ser usado pois compreende plenamente o contexto e ressalta-o sublimemente. Pede-se não ser confundido com pleonasmo, ou mesmo com uma interjeição: o estraño é apenas a fresta para o vislumbre do abismo inefável, é uma ilustração, o resumo de uma outra linguagem num sentido literal, também um substantivo, portanto.
E por mais que não haja sua conjugação verbal, o ato de perceber o termo já é o próprio verbo em questão.

Não vos desejo portanto que vivam em tempos interessantes, mas estraños (e plurais), da maneira como mais vos agradar.
Passar bem.

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