Generosidade & Complacência
“A misericórdia só é possível onde há justiça. Se ela é injusta ela é condescendente. Há um ponto em que a generosidade se torna complacência. Há um ponto em que o altruísmo exacerbado se torna descaso com a condição do outro. A insensibilidade para medir as necessidades da situação pode converter uma dádiva em estorvo. E aquele que só tem a oferecer, mas não se implica no processo, não é um patrocinador mas uma fonte estéril. E para se valer dessa água é preciso habilidade para torná-la fértil e administrá-la em seus plantios. Assim também é com a misericórdia. Aquele que a receber deve saber convertê-la em bençãos e reconhecer a sua sorte. E aquele que a irradia deve ser consciente do processo e das circunstâncias para não ocorrer no erro da passividade e do alheamento, pois quem não se implica é implicado. Toda relação é proporcional, sempre. Às vezes os elementos é que não são claros.” 305 - Asturel