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KALLISTI

Um dia disseram a Narciso que ele tinha um cheiro próprio, inebriante. Encantado com o elogio, ele estranhou: tínhamos cheiro? Sim, todos temos cheiro, mas o dele era tremendamente maravilhoso. Que era uma pena que ele não sentisse seu próprio perfume: sublime! E que a tragédia da vida fosse essa: não poder sentir-se por inteiro.  Que essa incompletude era terrível, mas que para Narciso devia ser pior! Que se ele pudesse, algum dia, da forma como fosse, que prova-se a si! Mas vaidade exaltada é feito punhal, se perde aos veios da carne; Quando já não bastam espelhos, contorcem-se os reflexos agoniados À Narciso faltaram sentidos para se exprimir.

Disparidades

Ante o meu reflexo ao espelho: Prefiro ser-me A sê-lo.

Do Não-julgamento, da humildade & da preservação da fé nos demais.

Quanto mais se conhece a si mesmo, mas se conhece aos demais. Porém é mister lembrar que não se deve olhar aos outros com os olhos que se olha a si próprio: é bom ignorar a ignorância alheia.

Caminhemos

Quando eu tomei a decisão de resolver, aqui & agora, tudo o que havia para ser resolvido desde o Caos Primordial por toda a imensidão dos tempos eu não sabia que seriam tantas as ocorrências paralelas que viriam à tona - e ainda hão de vir! Porém, nenhum arrependimento. Essas ressalvas não combinam comigo.  Caminhemos.

Do Véu de Parokhet & Outros Limites Absurdos

A mensuração é dada à sensibilidade. Aquele que se faz de surdo acaba por tornar-se. A ignorância é um daqueles vazios dos quais quando se compartilha tira-se dos demais. O mínimo é menos que nada - e isso por ser aceitável. A mediocridade é uma convenção para se denominar quão suportável é a irrelevância. A apatia conduz ao abismo. O Caminho do Meio também bifurca-se, mas isso ninguém nunca te disse. A indecisão é cíclica. Quem mais receia a profecia: o profeta ou o profano? Máscara por máscara, o profeta não é mais que poesia. Pobre dele. A discrição é quem bem proclama as anunciações: O presságio anônimo é grave, qualquer nome é descrédito. Numa crise de identidades as celebridades personificam o niilismo. Prosopopéia da decadência. Das asneiras ao Asno de Ouro, A indecisão é cíclica.

Caráter

  Caráter é quando uma pessoa decide limitar voluntariamente as inúmeras possibilidades que ela tem de alcançar aquilo que se quer para adequá-las ao seu código de honra pessoal. Percebam que não se tratam de atos isolados ou de imposições culturais, mas de uma construção de modelo de atuação baseado na disciplina e na auto-estima. O caráter não é um valor social. Antes ele serve ao indivíduo como parâmetro de  compreensão de si mesmo e da sua posição perante o mundo que lhe cerca. Resulta da coerência que coroa seus atos e do peso que sua palavra adquire conforme suas decisões são firmadas.  E acaba por tornar-se uma assinatura, faz daquele que o possui previsível, pois que sua Vontade tem consistência e sua consciência não é conveniente - ou conivente. Nietzsche confirmaria: "de duas coisas, uma é mais necessária que outra".

O Amor & A Arte

A arte é sensual. O domínio da expressão é o controle da sexualidade. O empenho em projetar as emoções formula um amante genioso. A intensidade do amar está correlata à capacidade de entregar-se aos sentidos alheios sob as diversas possibilidades que o estímulo evocar. Sobretudo, o interesse que se deposita no ato é o que qualifica e consagra a experiência, tanto artística como amorosa.