Postagens

Solidão & Independência

​ Solidão é a condição da existência humana.  A ausência da solidão é a prova da integração em um pacto social de uma realidade em que se conformou. A aspiração por uma realidade distinta, podendo ela ser ou não mais refinada, implica na quebra do pacto. Assim, a busca pela reforma da realidade sempre ocasionará na solidão como primeiro sintoma.  Consequentemente, o caminho iniciático sempre será marcado pela sensação de despertencimento, mesmo que o iniciado esteja cercado de multidões. Isso não é ruim, e nem é bom. É o que é. Preâmbulo de um próximo Páginas Abertas 
nem sorte, nem lugar e nem circunstância. competência. sou eu por mim, e já era.

Comunhão dos Santos

​ Conheci alguém que, como eu, enxerga nas frestas das armaduras.  O lugar de fala era dele, então eu ouvi sobre as minhas sombras.  Assenti, e isso pareceu incomodar. Quem vê o que não é óbvio costuma se orgulhar de sua perspicácia.  Eu não, só vejo o que precisa ser visto, e quando vejo demais do que não me serve, desvejo. Não me adianta colecionar as falhas & sombras dos outros, me torna mais amargo… Pois bem, espantou-se de eu me conhecer mais do que julgou saber de mim. Assim, me revelei.  Falei das sombras e da trajetória. Assustou-se um pouco mais. Era mais do que ele tinha percorrido. Era mais do que ele sabia ser possível. Me olhou diferente.  Olhou para quem me trouxe ali e pediu indicação: quem era? de onde veio?  De repente eu já não era um estorvo, mas uma espécime interessante. Isso também me interessou. De repente eu já não estava perdendo o meu tempo, mas lidando com alguém que conseguia me ver. Deixamos nossas pretenções e preconceitos ...
​É muito comum que as pessoas só descubram o tanto que elas têm perder quando elas começam a perder, de fato.

Sobre Portais Interdimensionais e suas Implicações

​ Nessa terra de grande extensão, em que comumente se julga já se ter visto de tudo, um ou outro mistério se desvela em ocasiões extraordinárias. Um desses mistérios é a existência de portais interdimensionais. Passagens materiais, físicas, que dão acesso a outros planos e permitem contatar seres que não habitam essa nossa realidade consensual. Esses portais são pontos de intercessão entre as realidades, ou seja, são nodos de uma rede que fazem com que um evento que ali ocorra repercuta por várias outras dimensões e planos de existência. Basicamente, o que se conjura ali acaba se tornando um evento canônico em várias linhas temporais distintas. É, portanto, um ponto de aglutinação de força, e para acessá-lo é preciso que essas nossas várias realidades estejam minimamente alinhadas. Se não estiverem, o processo de sincronização poderá ser catártico, e o indivíduo comumente será confrontado pelos contrastes e faltas de suas várias versões. É como refletir-se e enxergar não o que poderia ...

A Continuidade da Iniciação

De quando em quando é preciso reforçar as palavras de Dion Fortune em sua pungente obra “Preparação e Trabalho do Iniciado”, em que ela nos narra que a Iniciação não é local, ela não é um evento isolado nessa circunstância espaço/temporal, mas uma condição contínua de aprimoramento.  Em outras palavras, a aquisição de poder e de sabedoria não está meramente atrelada às ordens e escolas que temos acesso, mas às habilidades internas que nos propomos a desenvolver, e que efetivamente cumprimos com nossas palavras e promessas.  Isso é importante porque aprendemos a enxergar o valor oculto que algumas pessoas possuem. Elas podem não ter todo o seu poder exteriorizado no aqui & agora, mas elas possuem uma trajetória de poder pessoal que se insinua nas entrelinhas, e que deve ser respeitada pois muitas vezes é mais do que um iniciado sonha em alcançar.  Também é assim que entendemos esse conceito de Irmãos Mais Velhos. Tem gente que se dedica verdadeiramente à caminhada, e q...

Autômatos seres de carne e osso

"A natureza interna do sujeito não tem que inquietar a mais ninguém, senão a ele mesmo.  E é esse o estopim da transformação." ​ Há, entretanto, casos em que o desleixo do sujeito consigo mesmo é tão pungente que ele transborda, e o que deveria ser um mal estar pessoal contamina seus interlocutores e se torna coletivo. O auto abandono se alastra, de forma que a pessoa se torna uma casaca assombrada: “há alguma vida aí dentro?” - ninguém sabe.  Pode muito bem ser um autômato; ou alguém desencantado consigo; ou, também, um refém das próprias conveniências: praticar a integridade sempre será mais trabalhoso do que desfrutar da inércia.