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A Coragem de Sentir é o que Nos Mantém Vivos

Texto de Isabela Siqueira para o episódio #56 do Páginas Abertas - Empatia, Bondade Amorosa & Aprendizado Transpessoal Como nos relacionamos com a nossa capacidade de sentir? Diante e sob a realidade que vivemos, como lidamos e tratamos do sentir? Um botão de liga e desliga soa tentador? Um controle absoluto, pois a depender de onde partimos, sentir, seja lá o que for, é um problema? Quem produz o que sentimos? Qual é a nossa soberania sobre a nossa capacidade de sentir? Ou talvez prefiramos uma máquina de sentimentos que regule o que somos capazes, ou toleramos, sentir? A ponto de nos tornarmos incompetentes o suficiente para sermos dominados por outrem que determine o que sentimos? Qual é a fonte do que sentimos? De onde vem o substrato das nossas emoções? Sentir é, talvez, nossa maior habilidade e poder! E sentir nos conecta imediatamente com o nosso corpo, porque sentir passa pela experiência de ter um corpo, nós somos capazes de localizar o amor, a alegria, a tristeza, a raiva...

Bondade pressupõe Força

Ontem no consultório eu falei uma frase que ficou ressoando dentro de mim, porque ela foi uma conclusão de muito tempo de auto reflexão e contemplação da vida.  “Para ser bom é preciso ter estrutura. Para ter um coração bondoso, para conseguir sustentar a doçura que é natural e inerente a algumas pessoas, é preciso ser forte, é preciso ter cacife para bancar a bondade. De outro modo ela é confundida com vulnerabilidade e com fraqueza, e os oportunistas enxergam na generosidade uma brecha para as suas perversidades.” Eu estava diante de alguém com um coração bom e era visível & explícito. Esse tipo de pessoa não insinua as suas virtudes, não se faz de santo, não tem uma narrativa elaborada para justificar por que age como age. Pelo contrário, apenas são assim. E geralmente, acreditam que todos pensam e agem como eles, com o mesmo caráter & sinceridade. Eu vi essa pessoa e eu senti saudades de mim, de quando eu era ingênuo e a força ainda não tinha se tornado uma necessidade ...

Manifestação Emocional

​ Às vezes vocês não entendem a extensão da palavra “amor”. As concepções de vocês, enviesadas pela memória emocional, atribuem acepções muito fixas a um termo e acabam por limita-lo. Descalcificar esses significados é ampliar o poder do símbolo e operá-lo com maior autonomia. Portanto, quando dizemos que todas as coisas na vida que são feitas com amor têm maior fruição, entenda amor como entusiasmo, potência e jubilo. Alguns podem achar o “fazer com amor” um clichê, mas essa é a fórmula de todo o prazer, e quem goza o faz por ela, mesmo que não goste da terminologia ou não compreenda a sua aplicação. Fazer algo sem amor é automatismo, é tarefa que entrega o resultado material mas que é estéril existencialmente. É o esvaziamento do sentido e o desperdício do tempo. Você pode perguntar se se é possível atribuir sentido a qualquer coisa?, se é possível consagrar uma tarefa corriqueira ou mesmo desagradável e torná-la um serviço imbuído de amorosidade e entusiasmo? E a resposta sempre vai...

“Estanque” - ou - O Cultivo da Própria Humanidade

​ A oração do adepto é a de que nada do que ele veja, sinta ou experimente, nesse ou em outros planos, seja decisivo para mitigar ou diminuir a sua misericórdia & generosidade para com o mundo.  Em outras palavras, o verdadeiro iniciado não se ressente e nem se enviesa por experiências desagradáveis. Seus valores são absolutos, e estão apoiados na conquista que o seu desenvolvimento gradual lhe proporcionou. Eles não são casuais & coniventes, eles não se flexionam conforme a situação, eles não se adequam à lógica vigente pois obedecem a lógica interna, fundamentada & estruturada sobre as bases de seu ser.  Alguém que jurou >não-violência< não peca por impetuosidade e nem por acessos de vingança. Alguém que jurou >verdade absoluta< não contorna as situações cotidianas com fantasias & justificativas infundadas. Alguém que preza pela misericórdia & pela generosidade o faz independente de ver o mal no mundo. A corrupção, a crueldade, o descaso e a i...

Dos efeitos do Mestre Maior e do Mestre Menor sobre o iniciado

Quando o Mestre Menor se aproxima do iniciado ele exalta as suas virtudes e o faz se sentir um com o seu Eu Superior. Ele mostra o ideal do desenvolvimento pessoal e cunha novas referências possíveis para que o buscador trilhe os próximos passos da jornada. Quando o Mestre Maior se aproxima do iniciado ele desperta as suas sombras & os seus vícios, e os explicita de forma gritante. A sua função é ser um refletor, um contraste do quanto ainda falta no desenvolvimento e no auto aprimoramento do iniciado. O Mestre Maior intimida, constrange e envergonha. E não é proposital, mas é que a sua presença evidencia a discrepância entre o que se é e o que se há de vir a ser. E qualquer um que tenha consciência de si sente-se diminuto diante da magnificência de um ser que alcançou níveis de autonomia inimagináveis para a nossa espécie.   ​

Solidão & Independência

​ Solidão é a condição da existência humana.  A ausência da solidão é a prova da integração em um pacto social de uma realidade em que se conformou. A aspiração por uma realidade distinta, podendo ela ser ou não mais refinada, implica na quebra do pacto. Assim, a busca pela reforma da realidade sempre ocasionará na solidão como primeiro sintoma.  Consequentemente, o caminho iniciático sempre será marcado pela sensação de despertencimento, mesmo que o iniciado esteja cercado de multidões. Isso não é ruim, e nem é bom. É o que é. Preâmbulo de um próximo Páginas Abertas 
nem sorte, nem lugar e nem circunstância. competência. sou eu por mim, e já era.