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Manifestação Emocional

​ Às vezes vocês não entendem a extensão da palavra “amor”. As concepções de vocês, enviesadas pela memória emocional, atribuem acepções muito fixas a um termo e acabam por limita-lo. Descalcificar esses significados é ampliar o poder do símbolo e operá-lo com maior autonomia. Portanto, quando dizemos que todas as coisas na vida que são feitas com amor têm maior fruição, entenda amor como entusiasmo, potência e jubilo. Alguns podem achar o “fazer com amor” um clichê, mas essa é a fórmula de todo o prazer, e quem goza o faz por ela, mesmo que não goste da terminologia ou não compreenda a sua aplicação. Fazer algo sem amor é automatismo, é tarefa que entrega o resultado material mas que é estéril existencialmente. É o esvaziamento do sentido e o desperdício do tempo. Você pode perguntar se se é possível atribuir sentido a qualquer coisa?, se é possível consagrar uma tarefa corriqueira ou mesmo desagradável e torná-la um serviço imbuído de amorosidade e entusiasmo? E a resposta sempre vai...

“Estanque” - ou - O Cultivo da Própria Humanidade

​ A oração do adepto é a de que nada do que ele veja, sinta ou experimente, nesse ou em outros planos, seja decisivo para mitigar ou diminuir a sua misericórdia & generosidade para com o mundo.  Em outras palavras, o verdadeiro iniciado não se ressente e nem se enviesa por experiências desagradáveis. Seus valores são absolutos, e estão apoiados na conquista que o seu desenvolvimento gradual lhe proporcionou. Eles não são casuais & coniventes, eles não se flexionam conforme a situação, eles não se adequam à lógica vigente pois obedecem a lógica interna, fundamentada & estruturada sobre as bases de seu ser.  Alguém que jurou >não-violência< não peca por impetuosidade e nem por acessos de vingança. Alguém que jurou >verdade absoluta< não contorna as situações cotidianas com fantasias & justificativas infundadas. Alguém que preza pela misericórdia & pela generosidade o faz independente de ver o mal no mundo. A corrupção, a crueldade, o descaso e a i...

Dos efeitos do Mestre Maior e do Mestre Menor sobre o iniciado

Quando o Mestre Menor se aproxima do iniciado ele exalta as suas virtudes e o faz se sentir um com o seu Eu Superior. Ele mostra o ideal do desenvolvimento pessoal e cunha novas referências possíveis para que o buscador trilhe os próximos passos da jornada. Quando o Mestre Maior se aproxima do iniciado ele desperta as suas sombras & os seus vícios, e os explicita de forma gritante. A sua função é ser um refletor, um contraste do quanto ainda falta no desenvolvimento e no auto aprimoramento do iniciado. O Mestre Maior intimida, constrange e envergonha. E não é proposital, mas é que a sua presença evidencia a discrepância entre o que se é e o que se há de vir a ser. E qualquer um que tenha consciência de si sente-se diminuto diante da magnificência de um ser que alcançou níveis de autonomia inimagináveis para a nossa espécie.   ​

Solidão & Independência

​ Solidão é a condição da existência humana.  A ausência da solidão é a prova da integração em um pacto social de uma realidade em que se conformou. A aspiração por uma realidade distinta, podendo ela ser ou não mais refinada, implica na quebra do pacto. Assim, a busca pela reforma da realidade sempre ocasionará na solidão como primeiro sintoma.  Consequentemente, o caminho iniciático sempre será marcado pela sensação de despertencimento, mesmo que o iniciado esteja cercado de multidões. Isso não é ruim, e nem é bom. É o que é. Preâmbulo de um próximo Páginas Abertas 
nem sorte, nem lugar e nem circunstância. competência. sou eu por mim, e já era.

Comunhão dos Santos

​ Conheci alguém que, como eu, enxerga nas frestas das armaduras.  O lugar de fala era dele, então eu ouvi sobre as minhas sombras.  Assenti, e isso pareceu incomodar. Quem vê o que não é óbvio costuma se orgulhar de sua perspicácia.  Eu não, só vejo o que precisa ser visto, e quando vejo demais do que não me serve, desvejo. Não me adianta colecionar as falhas & sombras dos outros, me torna mais amargo… Pois bem, espantou-se de eu me conhecer mais do que julgou saber de mim. Assim, me revelei.  Falei das sombras e da trajetória. Assustou-se um pouco mais. Era mais do que ele tinha percorrido. Era mais do que ele sabia ser possível. Me olhou diferente.  Olhou para quem me trouxe ali e pediu indicação: quem era? de onde veio?  De repente eu já não era um estorvo, mas uma espécime interessante. Isso também me interessou. De repente eu já não estava perdendo o meu tempo, mas lidando com alguém que conseguia me ver. Deixamos nossas pretenções e preconceitos ...
​É muito comum que as pessoas só descubram o tanto que elas têm perder quando elas começam a perder, de fato.