Comunhão dos Santos
Conheci alguém que, como eu, enxerga nas frestas das armaduras. O lugar de fala era dele, então eu ouvi sobre as minhas sombras. Assenti, e isso pareceu incomodar. Quem vê o que não é óbvio costuma se orgulhar de sua perspicácia. Eu não, só vejo o que precisa ser visto, e quando vejo demais do que não me serve, desvejo. Não me adianta colecionar as falhas & sombras dos outros, me torna mais amargo… Pois bem, espantou-se de eu me conhecer mais do que julgou saber de mim. Assim, me revelei. Falei das sombras e da trajetória. Assustou-se um pouco mais. Era mais do que ele tinha percorrido. Era mais do que ele sabia ser possível. Me olhou diferente. Olhou para quem me trouxe ali e pediu indicação: quem era? de onde veio? De repente eu já não era um estorvo, mas uma espécime interessante. Isso também me interessou. De repente eu já não estava perdendo o meu tempo, mas lidando com alguém que conseguia me ver. Deixamos nossas pretenções e preconceitos ...